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Parque e Marina Beira-Mar Norte avançam e redesenham a relação de Florianópolis com a orla

24 de ago.
6 min de leitura

Com mais de 20% de avanço físico informado no primeiro mês de execução, a intervenção já alcançou 405 metros na Baía Norte. O projeto combina parque público, equipamentos de lazer e estrutura náutica, mas seus efeitos urbanos, ambientais e imobiliários dependerão da qualidade da execução e da integração com a cidade.



As obras do Parque Urbano e Marina Beira-Mar Norte completaram o primeiro mês de execução com mais de 20% de avanço físico, conforme informações divulgadas pela Prefeitura de Florianópolis e reproduzidas por veículos locais.

Nesse período, a implantação alcançou 405 metros de extensão e recebeu mais de 16,3 mil metros cúbicos de material — volume equivalente a mais de 27 mil toneladas — para formar a base estrutural do empreendimento.

Os trabalhos estão concentrados no enrocamento, estrutura construída com rochas sobre o espelho d’água da Baía Norte. Essa base terá aproximadamente 4,5 metros de altura, tomando como referência o nível do trapiche existente.

Mais do que um dado de cronograma, o avanço torna visível uma transformação urbana planejada para uma das áreas mais conhecidas e frequentadas de Florianópolis.

Uma nova faixa de cidade junto ao mar

O empreendimento será implantado entre o trapiche da Praça Portugal e o bolsão da Casan, na Praça Sesquicentenário.

O projeto completo abrange uma área concedida de aproximadamente 440 mil metros quadrados. Desse total, cerca de 140 mil metros quadrados deverão compor o parque urbano público, distribuído em três setores.

Segundo a Prefeitura, o parque terá aproximadamente 48 mil metros quadrados de áreas verdes, 25,4 mil metros quadrados destinados ao lazer e 19,4 mil metros quadrados de livre circulação. O programa prevê playgrounds, academias, quadras esportivas, pista de skate, espaços para animais, áreas de convivência, gastronomia, lojas e equipamentos de apoio náutico.

A área da marina ocupará aproximadamente 300 mil metros quadrados e deverá comportar até 600 embarcações. Trinta vagas estão previstas para instituições e pescadores artesanais, além de rampa náutica e píer de uso público.

O projeto contempla ainda estacionamento subterrâneo para automóveis, motocicletas e bicicletas, manutenção e ampliação da circulação de pedestres e ciclistas e adaptação da via marginal para uma possível implantação futura do sistema BRT.

A etapa atual ainda é estrutural

Apesar do percentual de avanço divulgado, a obra permanece em uma fase inicial e predominantemente estrutural.

O lançamento das rochas forma a contenção que servirá de base para o futuro aterro. Depois da conclusão do enrocamento, está prevista a dragagem de areia do fundo da Baía Norte, com aproveitamento do material na composição da nova área terrestre.

A Prefeitura informou que estruturas de contenção estão sendo utilizadas para reduzir a dispersão de materiais suspensos na água. A operação também envolve sinalização e acompanhamento técnico para proteger pedestres, motoristas e trabalhadores.

A execução está sob responsabilidade da Construtora JL, vencedora da licitação. O investimento privado anunciado é de aproximadamente R$ 350 milhões, com exploração da área concedida pela empresa durante o período contratual.

O prazo indicado para a conclusão de todo o empreendimento é de até cinco anos. A expectativa divulgada pelo município é disponibilizar o parque público em aproximadamente dois anos e meio.

Esses prazos representam previsões de execução. A efetiva entrega dependerá do cumprimento do cronograma, das condicionantes ambientais, das autorizações necessárias para cada etapa e das ocorrências próprias de uma obra realizada sobre área costeira.

Uma intervenção com diferentes dimensões

O projeto não deve ser compreendido apenas como a implantação de uma marina. Trata-se de uma intervenção urbana que combina espaços públicos, estruturas comerciais, lazer, turismo, circulação, paisagismo e atividades náuticas.

Atualmente, a Beira-Mar Norte funciona simultaneamente como avenida de grande circulação, percurso para atividades físicas e espaço de contemplação. Entretanto, em determinados trechos, ainda predominam áreas de passagem, estacionamentos e estruturas que oferecem poucas oportunidades de permanência.

A proposta do parque busca ampliar a fruição da orla e criar novos motivos para que as pessoas permaneçam no local. Essa mudança pode fortalecer a conexão entre o Centro consolidado e a Baía Norte, aproximando a vida cotidiana da paisagem marítima.

O sucesso urbano, contudo, não será determinado apenas pela dimensão física do projeto. Dependerá da facilidade de acesso, da segurança, da manutenção, da arborização, do conforto ambiental, da integração com o transporte coletivo e da preservação do caráter público dos espaços.

A questão ambiental continua relevante

A Prefeitura informou que o empreendimento possui Licença Ambiental Prévia e Licença Ambiental de Instalação emitidas pelo Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina, além de autorizações da Secretaria do Patrimônio da União e da Capitania dos Portos.

O licenciamento, porém, continua sendo objeto de acompanhamento institucional.

Em julho de 2026, o Ministério Público Federal pediu manifestação dos órgãos ambientais sobre aspectos do processo. Segundo informações divulgadas à época, pareceres técnicos apontaram dúvidas relacionadas aos impactos cumulativos sobre a dinâmica costeira, a atividade pesqueira, a qualidade da água, a paisagem e a mobilidade.

Também foram mencionadas questões relativas à consulta a pescadores e aquicultores e à conclusão do Estudo de Impacto de Vizinhança.

Esses apontamentos não significam, por si mesmos, cancelamento ou paralisação definitiva do empreendimento. Demonstram que uma obra dessa escala precisa ser acompanhada não apenas por indicadores de avanço físico, mas também pela verificação contínua das condicionantes ambientais, sociais e urbanísticas.



O que isso significa

Para Florianópolis, a intervenção representa a possibilidade de transformar uma orla central de passagem em um espaço mais completo de convivência, lazer e contato com o mar.

Parques urbanos qualificados podem influenciar positivamente a experiência cotidiana, estimular caminhabilidade, favorecer atividades ao ar livre e ampliar a atratividade de uma região. Quando bem integrados ao tecido urbano, também podem fortalecer comércio, gastronomia, turismo e serviços.

Para moradores e proprietários de imóveis no Centro, na Agronômica e nos bairros conectados à Beira-Mar Norte, o projeto merece atenção porque altera a infraestrutura urbana, a paisagem e os padrões de uso de uma área estratégica.

Essa relação, contudo, exige prudência.

O anúncio de uma grande obra não garante valorização imobiliária automática. Os possíveis reflexos sobre os imóveis dependerão de fatores como qualidade final do parque, conservação, acessibilidade, mobilidade, impactos ambientais, intensidade do tráfego, usos comerciais e percepção de segurança.

A proximidade de um novo equipamento urbano pode representar um atributo relevante, mas também produzir efeitos diferentes conforme a localização do imóvel e sua relação com ruído, circulação, eventos, vistas e acessos.

Por isso, decisões de compra ou investimento não devem se basear apenas na expectativa criada pelo projeto. É necessário analisar o imóvel, o entorno imediato, o estágio real da obra, a documentação, os padrões de demanda e o horizonte de permanência do comprador.

O que merece acompanhamento

Nos próximos meses, alguns pontos serão especialmente importantes:

  • o cumprimento do cronograma do enrocamento e o início da etapa de dragagem;

  • a evolução do percentual físico com indicação clara das etapas consideradas;

  • o atendimento às condicionantes ambientais;

  • os desdobramentos dos questionamentos apresentados pelo Ministério Público Federal;

  • a elaboração ou conclusão dos estudos urbanos ainda discutidos;

  • a participação das comunidades ligadas à pesca e à aquicultura;

  • a integração do parque com pedestres, ciclistas, transporte coletivo e tráfego da região;

  • a confirmação dos prazos de abertura do parque público;

  • a definição dos modelos de manutenção, funcionamento e fiscalização dos espaços.

Visão COMPANHA

O avanço das obras mostra que o Parque Urbano e Marina Beira-Mar Norte começa a deixar o campo das projeções para assumir presença concreta na paisagem de Florianópolis.

Sua importância, entretanto, não deve ser medida somente por metros executados, volume de material ou valor de investimento. O resultado mais relevante será a capacidade de criar um espaço público acessível, bem cuidado, ambientalmente responsável e integrado à vida da cidade.

Para o mercado imobiliário, a leitura mais sensata é de acompanhamento, não de promessa. Transformações urbanas podem criar novos atributos para uma região, mas valor duradouro depende da qualidade do espaço entregue e da maneira como ele será vivido ao longo do tempo.

Cidades melhores e patrimônios mais consistentes são construídos com planejamento, equilíbrio e escolhas conscientes.

Fontes consultadas


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